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Inventário de emissões de gases de efeito estufa: guia passo a passo

Avançado4 min de leituraPublicado em

Em resumo

O inventário de emissões mede, em toneladas de CO₂ equivalente, os gases de efeito estufa que a empresa emite direta e indiretamente, organizados em escopos 1, 2 e 3 pela metodologia do GHG Protocol. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol, da FGV, oferece ferramenta e registro público, e a Lei 15.042/2024 criou o mercado de carbono regulado (SBCE), que vai exigir relato de quem emite mais de 10 mil tCO₂e por ano.

Não dá para reduzir o que não se mede. O inventário de emissões é o primeiro passo de qualquer estratégia climática: ele mostra quanto a empresa emite, de onde vêm as emissões e onde estão as maiores oportunidades de redução.

O que é medido

O inventário soma os gases de efeito estufa (como CO₂, metano e óxido nitroso) emitidos em um ano e converte tudo para uma unidade única: a tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e).

Os três escopos

Escopo O que inclui Exemplos
1. Emissões diretas fontes que a empresa possui ou controla combustível da frota própria, geradores, caldeiras, gases de refrigeração
2. Energia comprada geração da eletricidade e do calor que a empresa compra conta de luz
3. Outras indiretas emissões da cadeia de valor bens e serviços comprados, transporte terceirizado, viagens a trabalho, deslocamento de colaboradores, uso e descarte dos produtos

Para a maioria das empresas de serviços, o escopo 3 é o maior, e também o mais difícil de medir.

Passo a passo

1. Defina os limites

  • Organizacionais: quais empresas e unidades entram (por controle operacional ou participação societária).
  • Operacionais: quais fontes de cada escopo serão incluídas.
  • Ano-base: em geral, o último ano fechado.

2. Levante as fontes de emissão

Mapeie tudo o que consome combustível ou energia e as principais atividades da cadeia: frota, geradores, ar-condicionado, contas de luz, viagens, fretes, resíduos.

3. Colete os dados de atividade

Fonte Dado Onde achar
Frota própria litros de combustível por tipo notas de abastecimento, cartão-combustível
Eletricidade kWh por mês contas de luz
Gases de refrigeração kg recarregados ordens de manutenção
Viagens aéreas trechos ou km agência de viagens
Resíduos toneladas por destino manifestos de transporte de resíduos

4. Aplique os fatores de emissão

Cada dado de atividade é multiplicado por um fator de emissão (por exemplo, kg de CO₂e por litro de diesel ou por kWh). A ferramenta do Programa Brasileiro GHG Protocol traz fatores adequados ao Brasil, incluindo o da rede elétrica nacional.

5. Consolide e analise

Some por escopo, por fonte e por unidade. Identifique as maiores fontes: é nelas que estão as reduções mais relevantes.

6. Documente

Registre premissas, fontes dos dados, fatores usados e exclusões. Isso permite repetir o inventário todo ano de forma comparável e facilita a verificação.

7. Verifique e publique

Uma verificação por terceira parte independente dá credibilidade aos números. No Programa Brasileiro GHG Protocol, a empresa pode publicar o inventário no Registro Público de Emissões e receber um selo:

Selo Critério
Bronze inventário parcial
Prata inventário completo dos escopos 1 e 2
Ouro requisitos do Prata e verificação por organismo independente acreditado pelo Inmetro

Do inventário à redução

  1. Metas: defina metas de redução com ano-base e prazo.
  2. Plano de ação: eficiência energética, energia renovável, otimização da frota e da logística, gestão de gases de refrigeração, engajamento de fornecedores.
  3. Compensação, por último: créditos de carbono podem complementar, mas não substituem a redução.

O mercado de carbono regulado (SBCE)

A Lei 15.042/2024 criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Pelo texto da lei:

  • operadores de instalações que emitem mais de 10 mil tCO₂e por ano vão ter de apresentar plano de monitoramento e relatar emissões e remoções;
  • acima de 25 mil tCO₂e por ano, ficam sujeitos também a limites de emissão e à conciliação periódica de obrigações;
  • a produção primária agropecuária fica de fora.

A implementação é gradual e depende de regulamentação, ainda em andamento. Quem já tem um inventário bem documentado sai na frente.

Erros comuns

  • Esquecer os gases de refrigeração, que podem ter peso grande.
  • Misturar anos ou unidades sem documentar.
  • Usar fatores de emissão de outros países para a eletricidade brasileira.
  • Comunicar “neutralidade” sem inventário completo e sem plano de redução.

Fontes

Conteúdo informativo, com base na legislação e nas fontes acima na data indicada. Não substitui a orientação da contabilidade ou da assessoria jurídica para o seu caso.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes.

Minha empresa é obrigada a fazer inventário de emissões?

Hoje, para a maioria das empresas, o inventário é voluntário, mas é cada vez mais pedido por clientes, bancos e investidores. Com a Lei 15.042/2024, operadores de instalações que emitem mais de 10 mil tCO₂e por ano vão ter de monitorar e relatar suas emissões ao SBCE, conforme a regulamentação, que está em andamento.

Preciso calcular o escopo 3?

No Programa Brasileiro GHG Protocol, os escopos 1 e 2 são obrigatórios para um inventário completo, e o escopo 3 é recomendado. Comece pelas categorias de escopo 3 mais relevantes para o seu negócio, como transporte, viagens e bens comprados.

O que são os selos do Programa Brasileiro GHG Protocol?

O selo Bronze vale para inventários parciais; o Prata, para inventários completos dos escopos 1 e 2; e o Ouro exige, além disso, a verificação por um organismo independente acreditado pelo Inmetro.

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