ESG é a sigla em inglês para ambiental, social e governança. Na prática, é a forma como a empresa cuida dos impactos que gera e dos riscos que corre nesses três campos, e como mostra isso a clientes, investidores, colaboradores e à sociedade.
Os três pilares
| Pilar | Exemplos de temas |
|---|---|
| Ambiental (E) | emissões de gases de efeito estufa, energia, água, resíduos, biodiversidade |
| Social (S) | saúde e segurança, diversidade e inclusão, direitos humanos na cadeia, relação com a comunidade, investimento social |
| Governança (G) | ética e integridade, combate à corrupção, conselho e gestão de riscos, transparência, privacidade de dados |
Por onde começar: a materialidade
Nenhuma empresa precisa (nem consegue) atacar todos os temas ao mesmo tempo. O primeiro passo é a análise de materialidade: descobrir quais temas são mais importantes para o seu negócio e para quem é afetado por ele.
- Liste os temas possíveis, a partir do setor e de referências como os padrões GRI e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
- Ouça as partes interessadas: colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, investidores.
- Avalie impacto e risco: quão grande é o impacto da empresa no tema, e quanto o tema afeta o negócio.
- Priorize de 5 a 10 temas materiais.
Metas e indicadores
Para cada tema material, defina:
- um indicador (por exemplo, toneladas de CO₂e emitidas, horas de treinamento por colaborador, percentual de mulheres na liderança, valor investido em projetos sociais);
- uma meta com prazo;
- um responsável.
No ambiental, o ponto de partida mais comum é o inventário de emissões, feito com a metodologia do GHG Protocol. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol, da FGV, oferece ferramentas e um registro público de inventários.
Como reportar
| Padrão | Foco | Para quem |
|---|---|---|
| GRI | impactos da empresa na economia, no meio ambiente e nas pessoas | todas as partes interessadas |
| IFRS S1 e S2 (ISSB) | riscos e oportunidades de sustentabilidade e clima que afetam o valor da empresa | investidores |
O que mudou em 2026 no Brasil
A Resolução CVM 193/2023 previa que as companhias abertas seriam obrigadas a divulgar relatórios pelos padrões IFRS S1 e S2 a partir dos exercícios iniciados em 2026. Em maio de 2026, a Resolução CVM 244 tornou esse relato voluntário. Quem já publica e quer continuar segue as regras da CVM, inclusive o compromisso mínimo de publicação por exercícios consecutivos.
Para empresas fechadas e de médio porte, um bom caminho é começar com um relatório simples, inspirado nos padrões GRI, cobrindo os temas materiais.
O social na prática
O pilar social é onde muitas empresas têm resultados rápidos e concretos:
- Doação incentivada: empresas do lucro real podem direcionar parte do IRPJ para projetos aprovados de esporte, cultura, infância, pessoa idosa e saúde.
- Voluntariado corporativo: engaja a equipe e fortalece o vínculo com a comunidade.
- Benefícios para quem doa: marcas parceiras da DuGood oferecem descontos a doadores e se associam a causas verificadas.
O importante é ligar essas ações aos temas materiais e medir os resultados.
Erros que viram greenwashing
- Comunicar metas sem plano ou sem medição.
- Destacar uma ação pequena e esconder impactos grandes.
- Usar selos ou termos vagos (“ecológico”, “sustentável”) sem comprovação.
Transparência sobre o que ainda falta fazer vale mais do que um discurso perfeito.
Fontes
- Padrões GRI, Global Reporting Initiative
- CVM torna facultativa a divulgação de reportes de sustentabilidade IFRS S1 e S2, Mayer Brown
- Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Nações Unidas Brasil
- Programa Brasileiro GHG Protocol, FGVces
Conteúdo informativo, com base na legislação e nas fontes acima na data indicada. Não substitui a orientação da contabilidade ou da assessoria jurídica para o seu caso.






