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ESG sem complicação: o que é, por onde começar e como reportar

Intermediário3 min de leituraPublicado em

Em resumo

ESG reúne práticas ambientais, sociais e de governança que mostram como a empresa gera e protege valor no longo prazo. O caminho começa por um diagnóstico dos temas materiais, segue com metas e indicadores e termina no relato, em geral com os padrões GRI. Desde a Resolução CVM 244/2026, o relato pelos padrões IFRS S1 e S2 é voluntário para as companhias abertas brasileiras.

ESG é a sigla em inglês para ambiental, social e governança. Na prática, é a forma como a empresa cuida dos impactos que gera e dos riscos que corre nesses três campos, e como mostra isso a clientes, investidores, colaboradores e à sociedade.

Os três pilares

Pilar Exemplos de temas
Ambiental (E) emissões de gases de efeito estufa, energia, água, resíduos, biodiversidade
Social (S) saúde e segurança, diversidade e inclusão, direitos humanos na cadeia, relação com a comunidade, investimento social
Governança (G) ética e integridade, combate à corrupção, conselho e gestão de riscos, transparência, privacidade de dados

Por onde começar: a materialidade

Nenhuma empresa precisa (nem consegue) atacar todos os temas ao mesmo tempo. O primeiro passo é a análise de materialidade: descobrir quais temas são mais importantes para o seu negócio e para quem é afetado por ele.

  1. Liste os temas possíveis, a partir do setor e de referências como os padrões GRI e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
  2. Ouça as partes interessadas: colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, investidores.
  3. Avalie impacto e risco: quão grande é o impacto da empresa no tema, e quanto o tema afeta o negócio.
  4. Priorize de 5 a 10 temas materiais.

Metas e indicadores

Para cada tema material, defina:

  • um indicador (por exemplo, toneladas de CO₂e emitidas, horas de treinamento por colaborador, percentual de mulheres na liderança, valor investido em projetos sociais);
  • uma meta com prazo;
  • um responsável.

No ambiental, o ponto de partida mais comum é o inventário de emissões, feito com a metodologia do GHG Protocol. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol, da FGV, oferece ferramentas e um registro público de inventários.

Como reportar

Padrão Foco Para quem
GRI impactos da empresa na economia, no meio ambiente e nas pessoas todas as partes interessadas
IFRS S1 e S2 (ISSB) riscos e oportunidades de sustentabilidade e clima que afetam o valor da empresa investidores

O que mudou em 2026 no Brasil

A Resolução CVM 193/2023 previa que as companhias abertas seriam obrigadas a divulgar relatórios pelos padrões IFRS S1 e S2 a partir dos exercícios iniciados em 2026. Em maio de 2026, a Resolução CVM 244 tornou esse relato voluntário. Quem já publica e quer continuar segue as regras da CVM, inclusive o compromisso mínimo de publicação por exercícios consecutivos.

Para empresas fechadas e de médio porte, um bom caminho é começar com um relatório simples, inspirado nos padrões GRI, cobrindo os temas materiais.

O social na prática

O pilar social é onde muitas empresas têm resultados rápidos e concretos:

  • Doação incentivada: empresas do lucro real podem direcionar parte do IRPJ para projetos aprovados de esporte, cultura, infância, pessoa idosa e saúde.
  • Voluntariado corporativo: engaja a equipe e fortalece o vínculo com a comunidade.
  • Benefícios para quem doa: marcas parceiras da DuGood oferecem descontos a doadores e se associam a causas verificadas.

O importante é ligar essas ações aos temas materiais e medir os resultados.

Erros que viram greenwashing

  • Comunicar metas sem plano ou sem medição.
  • Destacar uma ação pequena e esconder impactos grandes.
  • Usar selos ou termos vagos (“ecológico”, “sustentável”) sem comprovação.

Transparência sobre o que ainda falta fazer vale mais do que um discurso perfeito.

Fontes

Conteúdo informativo, com base na legislação e nas fontes acima na data indicada. Não substitui a orientação da contabilidade ou da assessoria jurídica para o seu caso.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes.

ESG é obrigatório no Brasil?

Não existe uma obrigação geral de ESG. Algumas regras setoriais exigem informações específicas, e grandes clientes, bancos e investidores cobram cada vez mais. Para companhias abertas, a Resolução CVM 244/2026 tornou voluntário o relato pelos padrões IFRS S1 e S2, que antes seria obrigatório a partir de 2026.

Qual a diferença entre GRI e IFRS S1/S2?

Os padrões GRI olham para os impactos da empresa sobre a sociedade e o meio ambiente e são os mais usados em relatórios de sustentabilidade. Os padrões IFRS S1 e S2, do ISSB, focam em como riscos e oportunidades de sustentabilidade e de clima afetam o valor da empresa, para investidores. Muitas empresas usam os dois.

Doação incentivada conta como ESG?

Conta como parte do pilar social e do investimento social privado da empresa, desde que alinhada aos temas materiais e acompanhada de indicadores de resultado. Sozinha, não substitui uma gestão ESG completa.

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